Na cobertura midiática, o Dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março devido a um incêndio que teria acontecido em 1857 em uma fábrica têxtil de Nova York. Aproximadamente 130 operárias teriam morrido, pois haviam sido trancadas na fábrica como punição devido às reivindicações por melhores condições de trabalho.
Segundo Adriana Jacob Carneiro, pesquisadora em gênero e mídia do grupo Miradas Femininas da Universidade Federal da Bahia, houve, de fato, um incêndio. Porém, ele aconteceu em 25 de março de 1911 e foi causado por um funcionário que acendeu um cigarro próximo aos tecidos. As portas estavam trancadas para evitar que os funcionários saíssem mais cedo. A tragédia resultou em 146 mortes, sendo 123 mulheres e 13 homens. O fato contribuiu para que ocorressem melhorias na segurança dos trabalhadores, tanto mulheres quanto homens.
Em 1984, a pesquisadora Renée Coté publicou no Canadá uma pesquisa que apresentou registros perdidos a respeito da história do Dia Internacional da Mulher. Segundo os estudos de Coté, o primeiro Woman’s Day aconteceu em Chicago no dia 3 de maio de 1908. A partir daí, o dia da mulher foi comemorado em diferentes datas nas diferentes partes do mundo.
A razão mais provável para a fixação do dia 8 março como Dia Internacional da Mulher é a ação de um grupo de mulheres da cidade russa de Petrogrado – atual São Petesburgo -, em 8 de março de 1917. Operárias e donas de casa convertidas em chefes de família devido ao período de guerra saíram às ruas para reclamar a escassez e os altos preços dos alimentos. No dia seguinte, os protestos contavam com 190 mil mulheres.
A partir de 1922 o Dia Internacional da Mulher é celebrado oficialmente no dia 8 de março, e, em 1975 é reconhecido e oficializado pela ONU.
Na terça-feira, 8 de março, dei uma fuçada nos tweets com as hashtags #diadamulher e #diainternacionaldamulher. Percebi que, no Brasil, entende-se essa data quase que como um segundo dia dos namorados. As mulheres são bajuladas, elogiadas, presenteadas. E vou contar uma verdade: mulher adora essas coisas. A questão é que, antes das rosas vermelhas, o verdadeiro significado desse dia é a luta pela emancipação feminina, pela transformação da sua condição e também da sociedade.
É claro que, de lá pra cá, muita coisa mudou. Mas a opressão ainda existe e se confirma a cada dia. Em 21 de fevereiro, o Estadão publicou uma matéria sobre uma pesquisa feita pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Sesc. A pesquisa revela que, a cada dois minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil e, a cada dia, dez mulheres violentadas morrem. Outras pesquisas revelam que a maioria das mulheres brasileiras não tem licença maternidade garantida, pois cerca de 60% trabalham na informalidade. Muitas não conseguem emprego por não ter onde deixar os filhos. Em Londrina, o déficit nas creches é estimado em 15 mil vagas. Também em Londrina, por dia, há 20 ocorrências na Delegacia da Mulher. Esses dados já são altos e a cidade conta com apenas uma Delegacia da Mulher, que se encontra na região central, sem atendimento 24 horas. Desta forma, as mulheres pobres são as mais prejudicadas.
Pra reverter a situação em nossa cidade, a Frente Feminista de Londrina vai promover uma mobilização no calçadão, em frente ao Banco do Brasil, no sábado, dia 12, às 11h. Tá convidado quem acredita que o Dia Internacional da Mulher vai além de dar flores pra namorada.
Agradeço às meninas da Frente Feminista pela colaboração na minha pesquisa!